Rima barata
não é poesia:
está cercado
por pessoas
não significa
ter companhia.
Por que aparentar ser forte, se estou aos pedaços? Por que sorrir, se minha alma chora? Não entendo os textos que começam narrando uma história de amor e terminam com: foda-se, foi ela quem saiu perdendo. Por que não foi. Se ela me perdeu eu também a perdi. E enquanto a falta dela perdurar, meus textos vão ser sobre ela, do início ao fim.
A música toca e penso em você, logo me vem essa vontade absurda de escrever. Mas as palavras fogem, tadinhas. Eu sei que assusto. Meu interior não é tão bonito. E essas pessoas só elogiam o interior porque não são capazes de enxergar o que existe dentro de alguém.
Ela gostava de ler. Eu sempre fui apaixonado por romancistas. Ela tinha olhos verdes. Eu sempre me interessei por olhos claros. Ela tinha a pele pálida. Eu nunca gostei de sol. Ela dizia não gostar de televisão. Eu sempre preferi livros e vinho. Ela carregava sobre si todas as dores do mundo. Eu sempre me senti um peso. Ela nunca aprendeu amar. Eu sempre fui um bom professor.
Amor, quando é amor, termina em barraco. Se termina em silêncio, já não era mais nada.
